domingo

Recordo a cor dos olhos dele contra a luz. Um castanho quase mel, tão bonito durante o fim de tarde ou sob a luz do bar. Eu devo ter os olhado insistentemente e ele, por certo, deve ter percebido, pois lembro de ter falado qualquer coisa sem nexo porque queria me proteger de falar o quanto eu gostei de estar ali. Ele riu. Nós rimos. E, pela janela, dava pra ver o mar numa calma que beirava a paz. Era como eu me sentia naquele domingo incomum. Pra mim, domingos sempre representavam tédio, independente do que eu fizesse. Aquele não.

***

Quase cinco da manhã e um sono perdido. Nessas horas, cultivo o hábito de relembrar histórias por medo de esquecê-las. Uma mania que, por vezes, considero loucura. Ou, no mínimo, uma forma torta de apreciar a vida.

***

Nisso tudo, penso: quanto levarei até amar outro domingo?

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