catatonia

Vejo os pingos da chuva e lembro do teu choro mais honesto. Você ali indefeso, falando da tua maior saudade, com um nó na garganta, tanta solidão.

Meu peito ficou numa angústia, eu querendo te ver feliz, enxugando teu pranto, oferecendo-te um ombro e um café. E no resumo disso tudo, eu te oferecia muito mais do que devia, te dava amor a cada movimento que minhas mãos faziam em teu cabelo. E na raiz, eu sabia que tu se entregava. Ilusão.

Sempre manti o raciocínio louco de que o amor nascia nesse aninhado que é um cafuné. Eu queria acreditar que tu me deixavas tocar teus cabelos porque entendias isso. Meus pensamentos nunca foram lógicos, óbvio.

Mas, num rompante, bebeste o café em um só gole e mudaste de assunto emendando palavras que eu não podia acompanhar. Largaste-me ali, aproveitando que eu não sabia reagir. Fiquei muda, mesmo tagarelando nas entrelinhas.

Então olhei para a vidraça, a garoa havia cessado e, enquanto eu ouvia os teus passos subirem a escada, silenciosamente me inundava. E me senti ridícula.

Ainda me sinto.

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