Porque sempre precisei de atenção…

Parei para ouvir Legião Urbana depois que li uma matéria do Estadão sobre o legado digital deles. Pelo que vi, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá tentam resgatar histórias e materiais sobre a banda com a colaboração dos fãs, que possuem materiais exclusivos como ingressos, matérias, vídeos, fotografias e tudo o mais. Para isso, foi criado um site, uma espécie de “rede social” para reunir os eternos fãs da Urbana Legio Omnia Vinci.

O meu primeiro disco do Legião foi presente de uma amiga da minha mãe, a Verônica. Eu tinha 14 anos e o álbum O Descobrimento do Brasil (1994) significava um presente antecipado de 15 anos. Foi a trilha sonora da minha adolescência, mais do que Beatles, admito. A voz intensa do Renato Russo, os diferentes sons de cítara, dobro e bandolim que constavam na maioria das faixas do álbum e as letras cheias de sentimentos que iam da saudade à solidão, da angústia ao desapego, da omissão ao protesto marcaram o momento em que eu tentava me definir diante do mundo.

Eu devorei cada pedacinho daquele cd, da capa à contracapa, das fotografias às letras, dos códigos de registro das músicas aos créditos de sua produção. E o aviso “ouça no volume máximo” foi religiosamente obedecido.

Aliás, meu primeiro contato com a obra de Renato Russo foi através de uma fita K7 que trazia as canções do álbum Equilíbrio Distante (1995). Acho que eu devia ter uns 10 anos, até menos. A fita era da minha mãe, mas eu me apossei dela para escutá-la diariamente todas as tardes. Eu gostava de ouvir músicas em italiano e em francês quando era criança. Só porque dava uma vontade boa de chorar. Até quis aprender italiano, só pra saber cantar Passerà, La Forza Della Vita e Strani Amore bem direitinho, mas hoje só sei dizer amore mio e olhe lá.

Depois dos 15, meus dias com Legião Urbana eram obrigatórios. Decorei todas as letras possíveis, começando por Hoje a Noite Não Tem Luar e Tempo Perdido. Só não deu Faroeste Caboclo, porque era a única que eu não aguentava ouvir. Eduardo e Mônica eu fiz questão de aprender a cantar e sei até hoje, tal qual sei o Hino Nacional Brasileiro palavra por palavra. Até os erros do Russo nos shows gravados em álbuns ao vivo, como os do disco Como é Que se Diz Eu Te Amo (2001), eu sei de cor. Minhas agendas eram decoradas com frases das músicas da banda, com desenhos de interpretação das mesmas letras, com tudo.

Ainda tenho um Almanaque Abril de 1997 que traz, logo na primeira página, a morte de Renato como um dos fatos mais marcantes na retrospectiva de 1996. No mesmo ano também se foram Os Mamonas Assassinas, que marcaram tragicamente uma manhã de domingo no início de um mês de março. Aquele almanaque era o sinônimo da tragédia para mim. Agora está entregue ao mofo, por tanto me fazer sofrer.

Enfim, não sou mais a mesma fã de antes, mas Renato Russo, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá tem uma parte linda demais dentro do meu coração. Ah! Renato, especialmente, continua sendo uma das vozes mais lindas que eu já ouvi em toda a minha vida e um dos caras mais geniais que já existiu nesse mundo.

Eu sinto uma saudade imensa do tempo em que eles habitavam exageradamente o meu cotidiano, os meus ideais, os meus amores. Era o tempo em que se fazia escambo de letras de músicas copiadas a mão em folhas de caderno perfumadas, de encontrar os amigos nas pracinhas, das conversas demoradas, de trocar as brincadeiras de moleca pela novidade fascinante do amor… era o tempo da inocência, do idealismo, das atitude honestas. Era um dos melhores tempos da minha vida.

Sempre precisei de um pouco de atenção, sempre. E fazendo parte dessa legião eu pude me sentir mais acolhida.

Deixo com vocês, então, as clássicas Eduardo & Mônica e Faroeste Caboclo em forma de animação. O trabalho é do artista Leonardo Amaral e eu conhecia já faz um tempo. Uma divertida nostalgia para quem é legionário. Enjoy!

3 pensamentos sobre “Porque sempre precisei de atenção…

  1. Adorei a paixão que você colocou no texto! Legião também é para mim uma das bandas que mais marcaram minha vida, ainda mais pelo fato de serem candangos!
    Eles lembram minha casa, meu lar!
    Fazia muito tempo que não via nada sobre eles!
    Adorei popó

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