A razão de só conseguir amar a ideia de ser jornalista

Estou quase criando uma teoria que revela que os nossos sonhos profissionais da infância pouco se concretizam. A maioria dos meus amigos queriam ser médicos, veterinários, aeromoças ou atrizes de Hollywood. Nenhum deles conseguiu.

Eu, por exemplo, queria ser patinadora de supermercado. Meu Deus, aquilo era o ápice do sucesso para mim, você podia ser veloz, correr riscos e sempre se destacar num ambiente consumido por gente de todos os tipos. Eu achava mágico (ainda acho, não minto) como as moças e rapazes conseguiam desviar tão rápido de caixas, carrinhos, pessoas e prateleiras. Sempre cerrava os punhos achando que eles iam bater, mas não, eles conseguiam realizar um movimento preciso e continuavam a seguir firmes com toda a sua leveza sobre os patins. Eu nunca consegui nem aprender a andar com patins. Fracasso total.

Aí, me restou uma série de opções. Pensei em ser economista, engenheira civil ou arquiteta, mas um 5 em Matemática no 1º ano me derrotou e eu desisti disso tudo. Podia já ter criado meus próprios programas de computador se gostasse de Física, porque aí teria cursado Ciências da Computação, mas virei ativista cibernética aos 17 anos e quase me filiei ao Greenpeace. Pronto, pensei em cursar Ecologia. Mas não.

No fim das contas, acabei na Comunicação, mais precisamente no Jornalismo, profissão que tive a petulância de rejeitar aos 11 anos quando cursava a 5ª série do fundamental. A diretora da Escola Talento me encarou e disse com convicção que eu seria jornalista. Como se aquela afirmação fosse um desaforo, retruquei com um arrogante “Deus me livre!”. Mal sabia eu que Ele me livraria, não do Jornalismo e sim da minha imaturidade e arrogância.

Eis que hoje brigo com o mundo todo para defender minha profissão e aqueles que se preocupam em fazer um Jornalismo sério e direcionado à prestação de serviço à sociedade. Tenho um orgulho imenso de ser quem sou, de estudar o que estudo, de vestir a camisa do Jornalismo e batalhar para ter um diploma nisso. Não consigo descrever a felicidade por ter me equivocado no passado a respeito da mais linda profissão do mundo. Sim, eu sou suspeita para falar, mas não serei hipócrita de dizer que correr atrás da verdade não é algo extremamente belo e encantador.

Não foi por gostar de escrever, por amar ler, por acompanhar com afinco o Jornal Nacional e assinar a Folha de S. Paulo, nem por brincar de fazer jornalzinho que eu escolhi ser jornalista (na real, não fiz a maior parte dessas coisas). Mais que isso, o Jornalismo me escolheu, me mostrou que eu seria uma pessoa melhor e mais completa se me rendesse a ele, à sua rotina estressante, aos seus incansáveis questionamentos, aos seus riscos investigativos, ao seu ideal, talvez utópico, de salvar o mundo com uma reportagem. Sempre esteve no meu sangue e isso eu nunca poderia evitar.

Sem exageros, eu sou a pessoa mais feliz do mundo em questões jornalísticas. Só preciso do meu lugar ao sol para me realizar totalmente. O lugar ao sol que falo não é prêmios ou muita grana. Se quisesse ganhar rios de dinheiro eu poderia investir em operações ilícitas (que é o que dá dinheiro no Brasil, infelizmente), não em Jornalismo. O lugar ao sol que falo nada mais é que andar debaixo do sol de rachar, por todos os lugares da cidade com um bloquinho e caneta a mão, para ouvir desde o cidadão dos bairros desfavorecidos até o cara PHD em Semiótica dos Processos da Vida em Comunidade na África Central, se é que isso existe. Se minha mãe deixar, emolduro minha primeira reportagem para jornal impresso e coloco na parede da sala. Tá, essa parte é brincadeira.

Em resumo, o meu amor pelo Jornalismo se deve a certeza que ele me dá de que eu poderei fazer algo por alguém. Isso sim é moficar o mundo.

Parabéns a todos que amam ser jornalistas, assim como eu!

6 pensamentos sobre “A razão de só conseguir amar a ideia de ser jornalista

  1. Polli, me identifiquei muito com o seu post. Não que eu queria ser jornalista (dexa isso para minha irmã), mas porque também pensei em ser engenheira civil ou arquiteta, mas também por uma nota baixa em Matemática no 1º ano eu desisti.
    Acho massa jornalismo, mas acho que não dava para mim. Penso em publicidade e propaganda ou design, tô vendo ainda😛
    Adorei o post, beeijos.

  2. Nossa Polli! Eu também sonhava em ser patinadora do supermercado. Até perguntei ao meu pai, qual a faculdade que eu deveria fazer para exercer esse cargo xD (eu tinha 10 anos na época!)

    Feliz dia do jornalista pra vc!🙂

  3. “Se minha mãe deixar, emolduro minha primeira reportagem para jornal impresso e coloco na parede da sala. Tá, essa parte é brincadeira”

    Pô… achei que era sério…

    Brincadeiras a parte, gostei muito da sua declaração de amor. Eu, ultimamente, tenho feitas umas semelhantes, quase todas relativas aos lugares que ocupo.

    Espero um dia me achar numa profissão como você se achou na sua, moça.

    Sorte.

  4. Amar o que se faz é estar a um passo da felicidade!

    Parabéns doutora.

    PS: Se bem que no amor não há razão (vide título)
    PS²:E em relações de amor, o que é ódio, o tempero?
    PS³: Eu e meus desvaneios, só falando besteira! xD

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