O que mata o romantismo é o clichê

Há tempos eu falo que se for pra arrumar um namoro água-com-açúcar ou algo tipo guerra-dos-mundos, eu prefiro estar solteira. Não suporto mesmice e meias-verdades, assim como detesto BBB (baixaria, barraco e burburinho). Namoro bom é algo totalmente desprogramado e que foge dos conceitos de novelas globais. Às vezes eu gosto da ideia de não saber o que preciso fazer amanhã.

Amo situações intensas, grandiosas e verdadeiras. Então, vou esperar até que me pseudo-príncipe-encantado, adorador dos Beatles (assim como eu), usuário de All Star e metido a poeta-músico-revolucionário-cineasta, cheio dos defeitos e manias, saudosista e amante de todo e qualquer objeto de consumo do século passado, apareça em meus dias e os modifique. Uma hora o cidadão desajeitado, infantil (porém decidido) virá pra dar uma corzinha ao meu céu que de vez em quando está nublado. Eu sei que ele chega, desde que eu deixe ele chegar.

Mas parou com minhas idealizações-poéticas do homem “imperfeito na medida certa”. Sim, porque eu quero um homem cheio das paranóias do mundo moderno, mas com uma alma respeitadora igual a dos rapazes do passado, tecnicamente.

Descobri por aqui um vídeo que exemplifica bem o que não quero ter em matéria de relacionamento. Algo que não desejo nem para o meu pior inimigo, se eu tivesse um.

“Como terminar o namoro” mostra, de maneira super bem-humorada, uma rotina pela qual passam todos os casais “moderninhos”. No começo tudo é lindo e cheio de flores, doces e declarações, depois começam as cobranças, tudo é muito chato, você não faz mais questão da presença do outro até que o namoro acaba. Mas aí você cai na curtição, depois cansa de tudo isso, retoma o namoro e passa por tudo de novo, novamente, outra vez. Até perceber que sozinho você tá bem melhor. Se reparar bem, você já viveu isso ou viu essa situação na vida de um amigo, tio, primo, vizinho, following do Twitter etc.

Enfim, numa análise mais crítica da mensagem… a rotina, item que destrói muitas relações, é reflexo da falta de laços mais sólidos e da cobrança excessiva e imatura por um relacionamento perfeito que não existe. Se procurássemos nos doar mais e entender que nem sempre as coisas funcionam como na novelinha do Maneco ou no filme da Sessão da Tarde, a gente podia ser mais feliz e aceitar as limitações alheias. Melhor, aceitar que se não somos perfeitos, não podemos exigir isso de ninguém.

Image from here.

6 pensamentos sobre “O que mata o romantismo é o clichê

  1. O seu exemplo da novelinha só me faz lembrar que eu tenho calafrios qdo ouço dizerem que Romeu e Julieta é uma história de amor. O coitado do Shakespeare deve rolar na cova.
    Esquecem que eles eram um par de adolescentes imaturos que mal se conheciam, se apaixonaram e fizeram uma merda. E a história se repete até hoje (não só com adolescentes), mudando basicamente o final: gravidez indesejada, divórcios, término de relacionamento via SMS, etc.

    Conhecer (realmente) o outro e respeitar as diferenças são um ótimo começo.

  2. Hum… sempre que eu leio seus textos, cara Polliana, eu sempre, SEMPRE, sei o que vou escrever, logo depois que eu acabo de ler. Talvez por isso meus comentários sejam rápidos, vazios e não provoquem interesse.

    Vamos a uma coisa diferente. Já que eu não sei exatamente o que eu quero dizer, vamos dizer tudo.

    Sabe, lendo seus textos (principalmente os intimistas e crônicas), eu sempre te imaginei a garota do pseudo-príncipe-encantado. Talvez eu percebesse mais a escritora que a escrita neles. Talvez eu quisesse entender isso, e isso não estivesse lá.

    Agora que eu sei, não sei, fico feliz por você. É chato ver gente que se contenta com qualquer coisa; e é bom ver gente que não o faz. É bom ver gente humana, que sabe que a imperfeição existe, e que ela não é a “qualquer coisa”, como muitos pensam, e sim parte dessa humanidade que, nesse momento, temos que aprender a conviver com ela; e você é uma dessas pessoas humanas.

    Feliz por você, realmente. É bom as vezes não olhar só essas pessoas solitárias sem sentido, e ver gente sozinha, sonhadora, satisfeita e com sentido e razão. Gente que atravessa esse universo e vai além dele, gente que reconhece a dureza das noites e dias e continua seguindo em frente, sabendo tirar boas lições do que tá atrás.

    É bom ver gente como você.

    ps.: “following do Twitter” foi foda. xD

    • Ahhh… seus comentários são sempre bem recebidos, viu?
      E obrigada por estar feliz por mim nesse sentido, mas é a mais pura verdade. Melhor esperar por algo bom que se contentar com pouco, enfim.

      Quanto ao “following do Twitter”… é isso que faz a inclusão digital.hehehe

      Beijos =***

  3. Ser humano é acreditar e é justamente por acreditar que se fica tão indignado, isso é fato.
    Mas acho que programar ou esperar certas coisas só as tornam ruins ou tornam sua experiência ruim… Você não pode exigir um romance ou esperar por um: é como romeu e julieta, as coisas acontecem ao acaso e tem a importância que você der para elas – você escolhe viver e tentar ou criticar os que tentam e chamar de egoístas e inconsequentes…

    Para mim, o maior sofrimento vem da expectativa… Quando você se prepara para coisas que devem ser apenas vividas – sem preparo nenhum – você sofre por elas não serem como se quis… Mas o que é como se quer no mundo? Raras ocasiões…

  4. Oi Polli,
    gostei muito do seu blog, você escreve muuuito muito bom. Um dia chego lá😛 Adorei a postagem.
    “Se procurássemos nos doar mais e entender que nem sempre as coisas funcionam como na novelinha do Maneco ou no filme da Sessão da Tarde, a gente podia ser mais feliz e aceitar as limitações alheias” isso serveria para o casamento também.
    O “following do Twitter” foi ótimo, hahahaa.
    Beeeijos, obrigada pelas dicas também.

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