Nunca pensei que a alegria pudesse ficar triste

Eu tenho fé nas pessoas e na minha profissão, mas é decepcionante ligar a TV, abrir o jornal ou acessar um site (como queiram) e dar de cara com notícias sobre morte, violência, corrupção e um monte de mazelas do mesmo nível. Vivemos sob uma rotina estressante, com medo de se tornar mais um nas estatísticas de assalto, sequestro etc e, quando buscamos entretenimento, não conseguimos encontrar nosso cano de escape do “mundo cão”.

Mas tem notícias que ultrapassam os limites. A morte de Glauco Villas-Boas, cartunista responsável pelas tirinhas do Geraldão, personagem consagrado em publicações na Folha de S. Paulo, é uma dessas.

Não vou mentir dizendo que acompanhava fervorosamente o trabalho do Glauco, que era fã número um. Li poucas tirinhas do Geraldão em toda a minha vida e devo isso em partes a mim mesma, por não me aprofundar tanto em quadrinhos, cartuns, charges e afins. A outra parte eu devo a educação minguada que temos. Se bem que nos meus livros de português sempre se via tirinhas da Mafalda, Calvin, Snoopy, Garfield, Hagar e… claro, do Geraldão. Como ele não usava roupas, lembro que lia escondido da minha mãe.

Aliás, Glauco foi redator da TV Pirata e da TV Colosso, esta última do meu tempo e parte importante da minha infância. Priscila, Capachão, JF, Gilmar – meu favorito – eram presença constantes na minha manhã até 1997, quando a Globo deixou de exibir. Meu almoço só existia após o famoso “Tá na mesa pessoal”, gritado pelo Chef de cozinha em português com sotaque afrancesado. E, por isso mesmo, agradeço a sua genialidade.

Pois então, nunca pensei que a alegria pudesse ser triste. Certeza que o Brasil ficou mais cinza e infeliz com a partida de Glauco e seu filho. E não me venham falar os Direitos Humanos que eu não quero saber. Mesmo que eles tenham razão em defender o “outro lado” da história, não há como conter a revolta de ver meu país afundando. Mas não culpo o país por ele estar assim, como muita gente faz. Nós é que somos culpados por toda essa desordem, seja por descaso, por falta de justiça competente, por conformismo… Exatamente como o Glauco, que fez do seu trabalho uma forma de denúncia às problemáticas (coletivas e pessoais) brasileiras, eu ainda acredito nesse Brasil.

De todo modo, só queria deixar registrado aqui algo sobre ele, porque o que importa é o que somos capazes de fazer pelo mundo enquanto estamos vivos e Glauco fez bastante com sua arte.

R.I.P Glauco Villas-Boas. Tem um lugar melhor aí em cima pra você.

4 pensamentos sobre “Nunca pensei que a alegria pudesse ficar triste

  1. Polliana, você disse tudo: “Nunca pensei que a alegria pudesse ser triste.”

    Enfim, alguns de nós perdeu um ídolo, outros perderam uma parte da vida, os familiares perderam um amor.

    Mas todos perderam um ser humano feliz.

    Infelizmente a tristeza e a saudade ficam.
    Vou ler algo dele para lembrar do que é bom na vida.

    Até!🙂

  2. É… eu li uma centena de tiras do Geraldão. Sim, eu era fã do cara, Geraldão, e do Cara, Glauco.

    Eu lembro de como eu ri da primeira vez que eu li “Abobrinhas da Brasilônia”.

    Foda.
    Esse é o tipo de coisa que morga o dia do cara.

  3. Poliana, sua frase bateu forte… Eu já vi a alegria ficar triste algumas vezes. Agora de novo.
    Armas foram feitas para matar e se eleas existem e circulam por aí livres nas mãos de criminosos ou de futuros criminosos, então algo está errado.

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