Old Tech, Art Nouveau

Um dos meus primeiros contatos com tecnologia ultra moderna foi, sem dúvida, o disquete. Aquilo era o objeto do mais alto grau tecnológico que eu podia ter em mãos. Eu pensava, “como algo tão fininho pode concentrar tantos dados assim?”. Imagine só minha cara quando descobri o pen-drive.

Antes, bem antes mesmo, foram as fitas VHS que faziam a festa no meu imaginário. Um filme inteiro ali dentro, que podia ser visto no maravilhoso VCR (Video Cassette Recorder) da Phillips que meu pai comprou. Era de enlouquecer.

Já as bonitinhas e, por vezes, coloridas fitas k7 de lados A e B (tais como os vinis) com os sucessos de Roberto Carlos, Joanna e baladas internacionais que minha tia guardava em seu armário, me agradavam pelo fato de poder cobrir seus cabeçotes e regravá-las.

Enfim, disquetes, fitas k7, VHS e outras peças que hoje não são pops como o Blu-Ray, com toda certeza fizeram parte do universo de todo mundo. Sem utilidade alguma nos dias de hoje, servirão como peças de colecionador cult ou como obra de arte.

E foi a segunda opção que o artista britânico Nick Gentry escolheu. Abordando os efeitos do avanço tecnológico sobre a sociedade, Nick utiliza esses materiais na construção de imagens que, na sua opinião, são retratos dos usuários dessas mídias. É um trabalho expressivo totalmente ligado à identidade, já que esses objetos serviam para o armazenamento de dados pessoais.

Pode-se observar que boa parte das peças se concentram na face dos personagens imaginários de Gentry, mostrando aí a importância da ligação visual que o artista quer fazer dos objetos com seus supostos donos.

Sentimentos e história se misturam numa tradução do que representou as décadas de 80 e 90, período em que Nick cresceu. Formado pela Central St Martins College of Art and Design, em Londres, o artista traz todos à reflexão com um misto de criatividade, responsabilidade social e relato tecnológico.

Outra face

Além dos trabalhos com os “reis do passado tech“, Gentry lança mão de texturas e ícones culturais. Achei fantástica a pintura que une Chaplin à Winehouse. Cinema e música juntos. Um heróico, outro sem regras. Ambos revolucionários e influentes, para o bem e para o mal.

Para acompanhar o trabalho de Nick, você pode conferir o site e o Flickr dele. Genial!

3 pensamentos sobre “Old Tech, Art Nouveau

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