Posso parar de crescer?

“A infância é medida por sons, aromas e visões, antes que o tempo obscuro da razão se expanda.”
Jonh Betjaman

Sou do tipo que resiste a ver filmes baseados em livros antes de ler o livro. Costumo dizer que se a gente já forma uma imagem da história na nossa cabeça, fica impossível captar a riqueza do texto e, com isso, boa parte do prazer que há no livro se perde para sempre.

Porém, não consegui ler O Menino do Pijama Listrado antes de vê-lo. O filme saiu em 2008 e soube dele antes mesmo do livro. Como histórias de guerra sempre me chamam atenção, decidi que assim que pudesse o veria.

Assisti. Num domingo sem pretensão, no sofá da minha sala, sob a luz da lâmpada fluorecente e sem saber o que me esperava.

Bruno (Asa Butterfield), filho de um oficial alemão, se vê obrigado à mudar de casa devido à nova função do pai – chefe de um campo de concentração. O garoto de oito anos dá adeus aos amigos e passa a viver solitário, num lugar hostil e misterioso. Mas, explorador e aventureiro como é, Bruno logo descobre Shmuel (Jack Scanlon), um garoto judeu que usa um “pijama listrado” e nunca pode ultrapassar uma cerca.

Sim. II Guerra Mundial. Nazismo. Holocausto. Judeus x Alemães. Intolerância.

Em meio a tanto horror o diretor Mark Herman, baseado no livro de John Boyne, tenta mostrar esse conflito sob os olhos infantis. Não deu outra, a ingenuidade capaz de transpor preconceitos e absurdos une esses dois mundos e nos choca, sem efeitos especiais. É um alerta psicológico, que machuca pelo teor de simplicidade. Ver duas crianças construir laços de amizade em contrapartida à desunião, sem entender porque judeus e alemães são bons ou ruins, porque pais e mães desaparecem, porque médicos “escolhem” descascar batatas… É doloroso! E muito.

O fato que encerra o filme me faz querer abandonar toda a razão que tenho e viver por um mundo menos injusto e acolhedor. Porque aprendi que ser racional certas vezes… nos faz cego.

Compulsivamente lágrimas e dor me substituiram. Nada mais a dizer, existia apenas a vontade de ser criança novamente.

*Ficha Técnica

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