Revisor: maldição ou redenção?

ilustra2004

Jornalista que é jornalista sempre terá obsessão por tudo muito bonitinho e correto. Trabalho mal feito, sem fundamento, textos medíocres e prolixos não são costumes adotados por quem trabalha com a verdade.

Pois bem. Estava eu pensando sobre isso e constatei: fico perturbada com o mínimo erro se quer. Um ponto fora do lugar, um sinal que foi engolido, uma vírgula a mais ou ausente. Letras trocadas e um “s” a menos então…

Que todo jornalista tem que escrever bem, isso todo mundo sabe. Aliás, nós não temos o direito de errar quando o assunto é texto. Nossa obrigação eterna é escrever bem e disso para cima. Menor que isso? Escolha outra profissão.

Redatores que somos, escrevemos e escrevemos e escrevemos… Até aí tudo certo, é ofício. Mas, o que atormenta mesmo é jornalista virar revisor. Tá, tá. Todo redator tem que revisar seus textos, mas eu falo daqueles que se dedicam exclusivamente a revisar o que os outros escrevem: os benditos editores.

Desde que o mundo é mundo o jornalismo existe (acho até que ele nasceu junto). No século XVII a.C. já haviam registros de circulação de informações nas antigas civilizações e o primeiro jornal que se tem notícia, circulava no primeiro século de nossa era lá no Império Romano. Foi Guttemberg quem organizou o processo com a invenção da prensa móvel e, a partir disso, as coisas foram evoluindo.

Com todo esse tempo de vivência, nunca foi inventado algo pior do que a função de revisor. Não chega a ser um inferno, mas por ser tão metódico, nos deixa viciados em manter tudo em ordem. O pior é que, quanto mais olhamos o texto, menos vemos os erros. Aí quando aparece algo que não está de acordo, o mundo cai. O perfeccionismo não permite misericórdias do tipo “errar é humano”, “acontece”, “todo mundo erra”. Não, jornalista não.

Claro que tem seus prós. Nosso olho fica mais clínico, é o chamado olho que tudo vê e a atenção aos detalhes se torna mais elaborada.

O que não dá é me sentir como alguém que não aceita errar; acabo levando isso para a vida pessoal, exigindo mais das coisas, das pessoas, de mim mesma, buscando uma vida transcendental que nunca existirá. O bom é ter defeitos, isso é o que nos faz aprender a ter qualidades. Observar a perfeição de um texto, de uma arte, de uma paisagem é confortante, mas não quando fica obsessivo. Tem momentos em que, ao errar a digitação de uma palavra, no lugar de ir lá e corrigir só o erro cometido, apago tudo e faço de novo até ficar do jeito que é para ser, na minha cabeça. Perco tempo, inevitável. E esse é o ônus de ser revisora. O bônus é que o jornalismo compensa.

3 pensamentos sobre “Revisor: maldição ou redenção?

  1. Poxa, me senti até mal…. eu sempre escrevo tudo errado!:/
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    O bom é que a minha namorada é boa em português, mando tudo pra ela e ela revisa! (:p)
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    Mas eu sei que eu tenho que tomar vergonha na cara e me dedicar mais…:s
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    Ja você…. vou nem falar nada, você ja sabe que eu sou seu fã né?!😀
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