O que há de forró em mim

luiz-gonzaga

Juazeiro, juazeiro
Me arresponda, por favor,
Juazeiro, velho amigo,
Onde anda o meu amor
(…)
Ai, juazeiro
Não me deixa assim roer,
Ai, juazeiro
Tô cansado de sofrer

[Juazeiro, Luiz Gonzaga]


Por ser de ládominguinhos
Do sertão, lá do cerrado
Lá do interior do mato
Da caatinga e do roçado
Eu quase não saio
Eu quase não tenho amigo
Eu quase que não consigo
Ficar na cidade sem viver contrariado
(…)
Sou como rês desgarrada
Nessa multidão, boiada caminhando à esmo

[Lamento Sertanejo, Dominguinhos]


Falar em Dominguinhos me fez pensar na relação que tenho com esse tipo de música. Não sei dançar forró e nem sou fã, pelo menos das atuais bandas que tocam um estilo de forró renovado, com aplicação de guitarras, baterias e tudo o mais, o chamado forró eletrônico.

O que conheço de forró é o que vem de Luiz Gonzaga e Dominguinhos, para ser mais precisa. Aquela mistura boa de sanfona, triângulo e zabumba, que impede a pessoa de ficar quieta por mais que queira ou que não goste do ritmo. E esse eu respeito, porque é a música que toca no coração do Nordeste e que une as pessoas (e como!).

Talvez se eu soubesse dançar, um pouquinho que fosse, curtisse mais! Gosto mesmo é das letras, de poesia simples, que falam de indivíduos reais como nós. Luiz Gonzaga fazia isso muito bem! E seu aprendiz, Dominguinhos também não fica atrás.

Desde criança que escuto ambos. Meus avós me ensinaram a respeitar o forró, mostrando a beleza desinteressada que ele carrega. Minha bisavó, Dona França, que era uma espécie de mãe para todos da minha família, sempre cantava Juazeiro, do mestre Gonzaga, para fazer minha mãe adormecer.

Assim, aprendi a respeitar o forró original, pé-de-serra, porque ele me traz a lembrança de uma época em que o bom da vida era ser despreocupado. Tempos em que as festas juninas, de fogueiras menos agressivas, com gosto de milho verde cozido, canjica, pamonha e chocolate quente pareciam estender-se ao ano todo. Tudo ao som do clássico forró e da alegria das pessoas, com a família reunida e minha bisa sempre presente, com seus cabelos lisos e seu olhar tímido e maternal.

Um pensamento sobre “O que há de forró em mim

  1. Gostei da forma simples e objetiva do texto. Forró só mesmo o pé-de-serra, o resto é resto! Eu não chamaria “aquilo” lá que as tais bandas cantam nem de música, que dirá de forró. É de um profundo mal gosto, muitas delas não dizem coisa com coisa, outras vezes avacalham com as mulheres e elas ainda deliram ouvindo as baboseiras. Parabéns!

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