Reflexão Devassa

Como quase todo mundo sabe, a propaganda da cerveja Devassa, estrelada pela socialite-celebridade Paris Hilton foi proibida pelo Conselho de Autorregulamentação Publicitária (Conar). Após três notificações do órgão, o Grupo Schincariol retirou o comercial do ar.

Segundo o Conar, a campanha feriu a imagem da mulher e contém apelo excessivo à sensualidade. Além do que, três processos foram abertos contra a mesma: um pelos consumidores, outro por órgãos em defesa dos direitos da mulher e o último pelo próprio Conar.

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Pierrô e Colombina

Todo ano era a mesma coisa. Só desejava adormecer e retornar quando se restabelecesse a normalidade. Afogada em livros e filmes, mantinha distância do mundo carnavalesco e de todos aqueles que o amassem mais que a si mesmos. Preferia limonada à cerveja e um bom sono a qualquer movimento corporal que lembrasse dança. Foi capaz até de jurar que mudaria para a Argentina. Ou Londres. Ou um universo paralelo e triste em que não existisse carnaval. Mas tinha um segredo. O trio Pierrô, Colombina e Arlequim amoleciam seu coração.

Do outro lado da cidade, como em todo ano, havia o frevo das sombrinhas coloridas, a chuva de confetes e serpentinas, os beijos eufóricos e cheios de calor festivo. Atmosfera repleta de diversidade compartilhada em um trecho urbano qualquer. E ele, que prezava a intensidade e rapidez das coisas e tinha o carnaval como a festa que mais lhe fazia gosto. Em quatro dias podia ser despreocupado como em nenhuma época do ano. Além do que, todos os seus pecados, por pacto social, eram sempre esquecidos e infinitamente perdoados. Mas também tinha um segredo. Queria abandonar a folia.

E como sempre alertam os avós, o destino é um bicho bem traiçoeiro às vezes.

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Old Tech, Art Nouveau

Um dos meus primeiros contatos com tecnologia ultra moderna foi, sem dúvida, o disquete. Aquilo era o objeto do mais alto grau tecnológico que eu podia ter em mãos. Eu pensava, “como algo tão fininho pode concentrar tantos dados assim?”. Imagine só minha cara quando descobri o pen-drive.

Antes, bem antes mesmo, foram as fitas VHS que faziam a festa no meu imaginário. Um filme inteiro ali dentro, que podia ser visto no maravilhoso VCR (Video Cassette Recorder) da Phillips que meu pai comprou. Era de enlouquecer.

Já as bonitinhas e, por vezes, coloridas fitas k7 de lados A e B (tais como os vinis) com os sucessos de Roberto Carlos, Joanna e baladas internacionais que minha tia guardava em seu armário, me agradavam pelo fato de poder cobrir seus cabeçotes e regravá-las.

Enfim, disquetes, fitas k7, VHS e outras peças que hoje não são pops como o Blu-Ray, com toda certeza fizeram parte do universo de todo mundo. Sem utilidade alguma nos dias de hoje, servirão como peças de colecionador cult ou como obra de arte.

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Três gelos e um segundo

Olhou fixamente num ponto e desatou a falar. Queria resolver tudo de uma vez, não aguentava mais toda a angústia de reprimir seus sentimentos e opiniões e desgostos e mais todas aquelas coisas que ele não sabia explicar, mas sentia intensamente por ela.

- Eu sei que disse que não me envolveria… Tentei, mas tô cansado de fugir de mim mesmo. Sei lá… mas eu diria assim, que apesar de tudo, esse meu carinho, estranho e pouco nítido, na verdade, sabe, é todo pra você.

Silêncio.

- Olha, eu devia ter falado antes. Não pense que quero confundi-la ou enganá-la. Eu… eu… não parece, mas…

Silêncio.

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Sobre tudo, a janela

Gostava de sentar perto da janela no ônibus. O vento, a paisagem, o som… precisava estar em contato com a vida o tempo todo e, para ela, a vida podia ser alcançada ali, através do espaço que a breve abertura de janela lhe cedia. Só não sabia como, então repetia esse gesto como um ritual, porque acreditava que uma hora a resposta viria.

Como em todos os dias, sempre na ida e volta para casa, adotou a janela de sua preferência e ali ficaria até seu destino se ele, humildemente, não tivesse sentado ao lado.

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Para que não fique só na promessa…

Preguiça. Preguiça imensa é o nome que se dá ao meu atual estado criativo. As ideias pulsam na minha cabeça, mas só de pensar em colocá-las no bloco de notas… minha tendinite se manifesta em graus elevados, costas começam a doer e a certeza de que não vou conseguir blogar se mostra dominante em meus dias.

Mas eu quero falar, pode ser?

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Posso parar de crescer?

“A infância é medida por sons, aromas e visões, antes que o tempo obscuro da razão se expanda.”
Jonh Betjaman

Sou do tipo que resiste a ver filmes baseados em livros antes de ler o livro. Costumo dizer que se a gente já forma uma imagem da história na nossa cabeça, fica impossível captar a riqueza do texto e, com isso, boa parte do prazer que há no livro se perde para sempre.

Porém, não consegui ler O Menino do Pijama Listrado antes de vê-lo. O filme saiu em 2008 e soube dele antes mesmo do livro. Como histórias de guerra sempre me chamam atenção, decidi que assim que pudesse o veria.

Assisti. Num domingo sem pretensão, no sofá da minha sala, sob a luz da lâmpada fluorecente e sem saber o que me esperava.

Bruno (Asa Butterfield), filho de um oficial alemão, se vê obrigado à mudar de casa devido à nova função do pai – chefe de um campo de concentração. O garoto de oito anos dá adeus aos amigos e passa a viver solitário, num lugar hostil e misterioso. Mas, explorador e aventureiro como é, Bruno logo descobre Shmuel (Jack Scanlon), um garoto judeu que usa um “pijama listrado” e nunca pode ultrapassar uma cerca.

Sim. II Guerra Mundial. Nazismo. Holocausto. Judeus x Alemães. Intolerância.

Em meio a tanto horror o diretor Mark Herman, baseado no livro de John Boyne, tenta mostrar esse conflito sob os olhos infantis. Não deu outra, a ingenuidade capaz de transpor preconceitos e absurdos une esses dois mundos e nos choca, sem efeitos especiais. É um alerta psicológico, que machuca pelo teor de simplicidade. Ver duas crianças construir laços de amizade em contrapartida à desunião, sem entender porque judeus e alemães são bons ou ruins, porque pais e mães desaparecem, porque médicos “escolhem” descascar batatas… É doloroso! E muito.

O fato que encerra o filme me faz querer abandonar toda a razão que tenho e viver por um mundo menos injusto e acolhedor. Porque aprendi que ser racional certas vezes… nos faz cego.

Compulsivamente lágrimas e dor me substituiram. Nada mais a dizer, existia apenas a vontade de ser criança novamente.

*Ficha Técnica

Poesia vista

“Fotografar é colocar na mesma mira a cabeça, o olho e o coração.”
Henri Cartier Bresson

O que me encanta na fotografia é o fato dela eternizar um momento, dela revelar bem mais que uma imagem, mas uma história, um sentimento, um olhar igual a nenhum outro no mundo.

Cada momento não fotografado é um momento perdido no tempo. Deixar o registro das nossas lembranças é mais que necessário para nos ajudar a ser quem somos, para nos levar até quem não conseguimos alcançar.

Enfim, como toda poesia pura e verdadeira, a fotografia é única, jamais podendo ser substituída. Ela sobressai a poesia escrita, pois atinge todos, até quem não consegue identificar o código escrito. É universal.

Fotografias, claro, me fazem chorar.

E por isso, Lost Smile e The Pen Story me encantaram. Kodak e Olympus conseguiram traduzir bem esse sentimento fotográfico. Óbvio, né? É o que oferecem!


Em Lost Smile, com trilha de Au Revoir Simone, a Kodak mostra como a fotografia é capaz de retomar quem somos. E aproveita para reforçar de maneira sutil o seu conceito It’s time to smile!.

Ao som de Sad Song, um eletro suave do trio novaiorquino, conta-se a história de uma garota que perdeu o sorriso e que, apesar de procurar em todos os lugares, não consegue recuperá-lo. Mas ela se depara com fotografias que mostram o quanto ela era feliz e então volta a sorrir. Conceito lindo, técnicas bem trabalhadas, trilha moderninha, tudo perfeito. A produção é da Paranoid US, que caprichou no uso de stop motion, live action e ilustrações.

Não tão recente quanto o vídeo da Kodak, temos The Pen Story, da Olympus, filme comemorativo do aniversário de 50 anos da PEN, a lendária câmera da marca.


Também utilizando stop motion, foram reuniadas cerca de 60 mil imagens para a produção do vídeo de 3 minutos, que mostra a tragetória de um homem desde a sua infância, tudo registrado em fotografias, claro. Trabalho belíssimo, muito sensível, sob a voz tranquila de Johannes Stankowski em Down Below.

Corre, corre Mariquinha!

Fim de ano chegando e a correria é impossível de não existir. O tempo é o meu maior inimigo nessa época. Enfim, este é o motivo principal da minha ausência por aqui. Mas… com o fim do ano, chega também algumas ideias de posts legais, né? Então… declaro aberta a temporada de posts sobre 2009 (espero conseguir cumprir todos a tempo).

Vou aproveitar para falar sobre alguns últimos vídeos que vi por aí na internet e também sobre alguns discos que figuraram minha playlist esse ano. Considerações básicas sobre meus principais instrumentos de diversão.

Pretendo também comentar a lista dos mais tocados do Last.fm, porque eu não passei um bom tempo olhando aquilo para nada.

E, por fim, espero encerrar 2009 com um post bacaninha sobre as minhas perspectivas para o próximo ano. Porque nessas horas não dá para fugir do clichêzão de fazer aquelas listinhas do que a gente quer tanto mudar/acrescentar/excluir da nossa vida.

No mais, me desejem sorte e… que o msn e a Farmville não consumam toda minha inspiração e me deixem blogar!