incógnita

Toca Phoenix no player. Love For Granted. Nessas horas, eu deveria ouvir algo como Franz Ferdinand e seu rock dançante ou Metallica com suas batidas agressivas. Mas eu escolho o que vai me fazer chorar, talvez porque eu posso usar como justificativa para o caso de alguém perceber as lágrimas. “A música é triste!”, responderei.

Mas não é a música. São sentimentos que me provocam, que insistem em me fazer optar por escolhas que eu não quero. Escolhas que vão me machucar. Escolhas que, talvez, machuquem alguém.

São dúvidas, medos, angústias… Coisas que eu evito falar, para que elas não se concretizem.

E eu tento ouvir algo alegre, mas escolho The Smiths. Please, Please, Please Let Me Get What I Want.
Eu tenho a infantil mania de complicar tudo, de achar que a vida sempre me distrai para que eu não perceba que ela quer aprontar comigo. Autossabotagem é a palavra. Eu sempre espero o dia em que vou me decepcionar.

Se eu dou espaço para o que se passa na minha cabeça, talvez eu me arrependa para o resto da vida. E com a ilusão de que fiz o melhor, mesmo com o arrependimento me atormentando dia e noite. Se eu não ceder… vou ter que esperar dia após dia para saber o que vai acontecer. E é disso que eu tenho mais medo na vida.

E eu tento seguir (e me segurar) ao som de For No One, dos Beatles. Mas como conseguir isso ouvindo uma das músicas mais tristes dos garotos de Liverpool?

Sobre Polliana Araújo

Polliana Araújo é estudante de Jornalismo e inquieta. Nasceu em outubro de 1987 e de lá até aqui não conquistou prêmios, nem grandes quantias de dinheiro, nem fama. Mas também não quer. Só busca o suficiente para budegar com dignidade, ou seja, ter dinheiro sobrando para comprar livros e discos, ir ao cinema todo dia, dar uma vida melhor para a família e se filiar ao Greenpeace. Gosta de um bom papo de ônibus, lugar onde passa a maior parte do tempo. Se desdobra para contar uma boa história e, por isso, dizem que é bem expressiva, por causa dos gestos abertos e tagarelices. É insone, fica escrevendo pelas madrugadas, e idealista, pois dedica seu tempo, também, à preocupação com o funcionamento do mundo e a tentar melhorar as coisas do jeito que pode.

Um Comentário

  1. Gustavo Gabriel

    Não é questão de conseguir, é questão de não aceitar.

    “Dia após dia” tem que ser uma expressão seguida “corro atrás do que é importante” e não de “vou esperar”.

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